O Normal e o Patológico: Fragmento

Curar é criar para si novas normas de vida, às vezes superiores às antigas” (p. 188).

CANGUILHEM, Georges. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.

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O Guardião das Promessas: Fragmentos

À Justiça não cabe resolver todos os problemas, dar a última palavra em matéria de ciência ou de história, definir o bem público e responsabilizar-se pelo bem-estar das pessoas […] (p. 265).

Tudo aquilo que não constitui tema para debate, porque é enviado para peritos ou juízes, acaba ressurgindo sob a forma de violência ou de desconfiança a respeito da política (p. 268).

GARAPON, Antoine. O guardião das promessas. Rio de Janeiro: Ed. Revan, 2001.

Campo de Flores: Fragmento

Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Campo de Flores, Carlos Drummond de Andrade.

O processo judicial como ficção…

[…]Como observou Mariza Corrêa, o processo é de certo modo uma invenção, uma obra de ficção social. Reproduzindo suas palavras, “no momento em que os atos se transformam em autos, os fatos em versões, o concreto perde quase toda a sua importância e o debate se dá entre os atores jurídicos, cada um deles usando a parte do ‘real’ que melhor reforce o seu ponto de vista”[…]

Fausto, Boris. Crime e Cotidiano: A Criminalidade em São Paulo (1880 – 1924). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001, p. 32.

A vítima e o direito penal

[…]a vítima foi praticamente expulsa por completo da intervenção jurídico-penal-moderna[…] (Saleh Khaled Jr, A busca da verdade no processo penal, p. 355-356)

Entre possível e impossível: Entrevista de Jacques Derrida

ARMEL, Aliette. Du mot à la vie: un dialogue entre Jacques Derrida et Hélène Cixous. Magazine Littéraire, Paris, n. 430, p.22, abr. 2004. Disponível em: http://bit.ly/1LNqXiU. Acesso em: 6 jul. 2015.

[…] Reencontra-se o tema do impossível. Perdoar não é possível senão ali onde se perdoa o que é impossível perdoar. Se se perdoa o que é perdoável, devido a um lamento ou a uma demanda de perdão, não se perdoa. Não existe perdão possível senão para o imperdoável. De modo que o possível é condicionado pelo impossível. Isso vale também para a doação, a hospitalidade. A hospitalidadincondicionada é impossível. Mas é a única hospitalidade possível e digna deste nome. Eu poderia multiplicar os conceitos obedecendo à mesma lógica em que a única possibilidade da coisa é a experiênciade de sua impossibilidade. Se se faz somente isso que se pode fazer, isso que está sob seu controle, não se faz senão desenvolver as possibilidades que já existem, exibe-se um programa. Para fazer alguma coisa é preciso fazer mais do que se pode fazer. Para decidir, é preciso atravessar a impossibilidade da decisão. Se eu sei o que decidir, não existe responsabilidade a assumir. Isso é verdadeiro para a experiência em geral. Para que alguma coisa aconteça, é preciso que seja absolutamente inantecipável. Um acontecimento não é possível senão como ‘impossível’, além do ‘eu posso’. Eu escrevo frequentemente ‘impossível’ com um hífen entre im- e possível para sugerir que esta palavra não é negativa no uso que faço dela. O impossível é a condão de possibilidade do acontecimento, da hospitalidade, da doação, do perdão, da escrita. Quando alguma coisa é prevista, de certo modo, pode ser tomada como passado, portantonão chega a realizar-se. Isso é também um pensamento político: não se realiza senão o que os esquemas dispoveis fracassam em antecipar […].

 

Branco sai, Preto fica: “Da nossa memória fabulamos nóis mesmos”

 

Resenhas

Eduardo Escorel:

Branco sai, preto fica – bomba explode na cabeça

Eliane Brum:

Para Brasília, só com passaporte