O clamor de antígona: parentesco entre a vida e a morte. Fragmento

Qual é a voz contemporânea que adentra a linguagem da lei para interromper seu funcionamento unívoco? Observe que, na situação de famílias cuja estrutura é mista, uma criança diz ‘mãe’ e pode esperar que mais de um indivíduo responda ao chamado. Ou, no caso da adoção, uma criança pode dizer ‘pai’ referindo-se tanto ao fantasma ausente que nunca conheceu quanto àquele que assume tal lugar na memória viva. [97]

Butler, J. (2014). O clamor de antígona: parentesco entre a vida e a morte. Florianópolis: Editora da UFSC.

1984, George Orwell, quote

Assim, há dois grandes problemas que o Partido se preocupa em resolver. Um é como descobrir o que um ser humano está pensando, à revelia dele; outro é como matar várias centenas de milhões de pessoas em poucos segundos sem aviso prévio. Na medida em que a pesquisa científica continua existindo, esse é seu principal tema. Das duas, uma: ou o cientista de hoje é uma mistura de psicólogo com inquisidor, estudando com extraordinária minúcia o significado de expressões faciais, gestos e tons de voz, e testando os efeitos de drogas, choques elétricos, hipnose e tortura física na produção da verdade; ou é um químico, físico ou biólogo preocupado exclusivamente com ramificações de suas áreas de estudo relevantes para a extinção da vida.

O Normal e o Patológico: Fragmento

Curar é criar para si novas normas de vida, às vezes superiores às antigas” (p. 188).

CANGUILHEM, Georges. O normal e o patológico. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995.

O Guardião das Promessas: Fragmentos

À Justiça não cabe resolver todos os problemas, dar a última palavra em matéria de ciência ou de história, definir o bem público e responsabilizar-se pelo bem-estar das pessoas […] (p. 265).

Tudo aquilo que não constitui tema para debate, porque é enviado para peritos ou juízes, acaba ressurgindo sob a forma de violência ou de desconfiança a respeito da política (p. 268).

GARAPON, Antoine. O guardião das promessas. Rio de Janeiro: Ed. Revan, 2001.

Campo de Flores: Fragmento

Onde não há jardim, as flores nascem de um
secreto investimento em formas improváveis.

Campo de Flores, Carlos Drummond de Andrade.

O processo judicial como ficção…

[…]Como observou Mariza Corrêa, o processo é de certo modo uma invenção, uma obra de ficção social. Reproduzindo suas palavras, “no momento em que os atos se transformam em autos, os fatos em versões, o concreto perde quase toda a sua importância e o debate se dá entre os atores jurídicos, cada um deles usando a parte do ‘real’ que melhor reforce o seu ponto de vista”[…]

Fausto, Boris. Crime e Cotidiano: A Criminalidade em São Paulo (1880 – 1924). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001, p. 32.

A vítima e o direito penal

[…]a vítima foi praticamente expulsa por completo da intervenção jurídico-penal-moderna[…] (Saleh Khaled Jr, A busca da verdade no processo penal, p. 355-356)