Família patriarcal e discriminação sexual no Brasil colonial

Tradicionalmente, sobretudo por influência dos estudos de Gilberto Freire, quando falávamos em famíliana Colônia logo vinha à mente o modelo patriarcal: o de uma família extensiva, constituída por parentes de sangue e afins, agregados e protegidos, sob o a chefia indiscutível de uma figura masculina. A família patriarcal teve grande importância, marcando inclusive […] as relações entre sociedade e Estado. Mas ela foi característica da classe dominante, mais exatamente da classe dominante do Nordeste. Entre a gente de condição social inferior a família extensiva não existiu, e as mulheres tenderam a ter maior independência, quando não tinham marido ou companheiro. Em Outro Preto de 1804, por exemplo, considerando-se 203 unidades domésticas, apenas 93 eram encabeçadas por homens.

Mesmo em relação às famílias de elite, o quadro de submissão das mulheres tinha exceções. Em determinadas circunstâncias, elas desempenharam um relevante papel nas atividades econômicas. Isso ocorreu na região de São Paulo, onde as mulheres, descritas por um governador de capitania por volta de 1692, como ‘formosas e varonis’, assumiam a administração da casa e dos bens, quando os homens se lançavam por vários anos às expedições no sertão. [72-73]

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1995. 647 p.

O processo

Imagens do Estado Novo 1937-1945

Vazante

Berlin Film Review: ‘Vazante’
Vazante review: an “anthropological map” of Brazil’s cruel roots

 

 

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2017

Em 2016:

1 mulher assassinada a cada 2 horas;

7 pessoas assassinadas por hora;

61.619 mortes violentas intencionais.

Leia mais no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 2017.

Unicef: A violência na vida de crianças e adolescentes (Relatório)

O mais recente relatório do Unicef sobre violência contra crianças e adolescentes ressalta o lugar assustador ocupado pelo Brasil e outros países da América Latina (Honduras, Venezuela, Colômbia, El Salvador). Estamos entre os piores lugares do mundo no que se refere ao assassinato dos que se situam na faixa 10 – 19 anos, em particular os de sexo masculino.

Este gráfico mostra bem a situação:

http://data.unicef.org/end-violence-dataviz/

 

O relatório aponta diversos dados alarmantes, dentre os quais:

  • 176 milhões de crianças abaixo de cinco anos de idade ( 1 em 4) vivem com mães que estão em situação de violência doméstica ou familiar;
  • A cada sete minutos um adolescente é morto em decorrência de um ato de violência;
  • Com base em levantamento realizado em 30 países, apenas um por cento de adolescentes do sexo feminino que passou pela experiência de sexo forçado encontra ajuda profissional.

O relatório completo está disponível aqui.

O comunicado à imprensa contém um resumo do relatório.


“O Brasil é, acima de tudo, uma forma de violência. Nunca entenderemos o Brasil se não compreendermos o tipo de violência que funda seu Estado. Pois entender como o Estado brasileiro funciona é entender como ele administra o desaparecimento e o direito de matar. Esta é sua verdadeira forma de governo, uma atualização do secular poder soberano e seu direito de vida e morte”. Vladimir Safatle, ‘Governar é fazer desaparecer’, Cult, n.225, julho/2017, p. 62.

O que muda com a Lei de Migração aprovada no Senado. Nexo

O Senado Federal aprovou […] a Nova Lei de Migração, que substitui o Estatuto do Estrangeiro, de 1980, como a principal legislação tratando da entrada, permanência, direitos e deveres dos imigrantes no Brasil. Foram 43 votos à favor e 4 contrários, além de uma abstenção. As regras hoje em vigor são vistas como um resquício da ditadura militar e, em diversos pontos, entram em contradição com a Constituição de 1988. Agora, o novo texto passa a valer caso seja sancionado pelo presidente Michel Temer, que tem 30 dias para tomar a decisão.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/04/19/O-que-muda-com-a-Lei-de-Migra%C3%A7%C3%A3o-aprovada-no-Senado