A criação do mural no bairro Santo Domingo Sávio, Medellín, Colômbia

Algumas palavras em tributo ao referendo colombiano, outubro/2016

Na parte posterior da igreja de Santo Domingo Sávio há um mural com mais de 380 nomes de pessoas assassinadas. Ele foi construído no mês de outubro de 2005, por iniciativa do sacerdote Julián Gómez junto com moradores do bairro, desmobilizados do grupo paramilitar Cacique Nutibara e ex–milicianos.

Entre os nomes incluídos no mural estão os vizinhos que morreram em confrontos entre grupos armados, por balas perdidas, por cruzar fronteiras invisíveis, entre outras circunstâncias. Ali também estão escritos nomes de homens e mulheres que fizeram parte ativa desses grupos e que em alguns casos foram responsáveis pelo assassinato dos vizinhos.

A construção do mural teve o objetivo de fortalecer os vínculos de identificação debilitados pelos enfrentamentos entre as diversas facções armadas. Nesse processo apresentaram–se discussões sobre quem mereceria ser reconhecido como vítima e que vidas deveriam ser lembradas; sobre a possibilidade ou impossibilidade de reconhecimento do dano e a vulnerabilidade como elemento comum.

Mas o que seria ali ‘fortalecer os vínculos de identificação’? Há que se vislumbrar naquele momento duas vias que o processo de identificação, associado ao fortalecimento dos laços sociais, poderia assumir.

Continue Lendo “A criação do mural no bairro Santo Domingo Sávio, Medellín, Colômbia”

Anúncios

Adoção por casais homossexuais na Colômbia

Em 19/3/15 escrevi neste Blog  sobre o testemunho do adolescente Sebastian Villalobos, que conseguiu ter mais de 700.000 visualizações com um vídeo no Youtube. Nesse vídeo ele testemunhava sobre sua vida em uma família homoafetiva. Esse testemunho tinha por objetivo mobilizar a sociedade, já que a Corte Constitucional da Colômbia julgaria nos dias seguintes o direito de casais homossexuais realizarem adoção. Naquele momento, o resultado jurídico foi desfavorável.

Em novembro/2015, em uma reviravolta, a Corte Suprema reconheceu o direito da adoção por casais homossexuais.

Leia o post original e veja o vídeo de Sebastian Villalobos aqui.

Publicado originalmente em Cartas do Litoral

A silenciosa revolução das empregadas domésticas colombianas

María Roa Borja levou às lágrimas aplateia que a escutou sete meses atrás na Universidade Harvard. Lutando contra o nó na garganta e o nervosismo que mal a deixavam falar, Roa Borja narrou ali vários capítulos da sua vida. Contou como foi deslocada pela violência em seu país, a Colômbia, e como é difícil trabalhar como empregada doméstica. Pediu reconhecimento às mulheres que vivem de servir aos outros e exigiu bom tratamento. [Leia mais – El País]

Altares, caminos y relatos: el deber de la Memoria Histórica