Encontro Interdisciplinar sobre o Testemunho. CES

Este encontro organizado como um dia de conferências e debates abertos ao público, visa discutir o estatuto epistemológico do Testemunho em diversas disciplinas das ciências sociais e humanidades. Sendo um tema tradicionalmente tratado pela filosofia, o testemunho adquire sentidos diferentes na própria disciplina filosófica e segue reapropriado por enquadramentos teóricos de outras disciplinas, revelando-se crescentemente pertinente e premente ponderar sobre as teorias e práticas testemunhais dos nossos dias a partir de campos do saber distintos […].

Enquadramento

Pensando na Caixa. Roda dos expostos, século XXI. The Economist

 

A roda dos expostos são artefatos do período medieval. No entanto, eles reapareceram em 2000, na cidade de Hamburgo, onde muitos bebês abandonados estavam morrendo. A Alemanha possui agora cerca de 200 lugares onde a mulher pode deixar seu filho – em compartimentos aquecidos que fazem soar o alarme para um cuidador sempre que utilizados – ou onde podem dar à luz anonimamente. Esses lugares já se encarregaram de cerca de mil recém-nascidos, muitos dos quais nunca saberão de onde vieram.

Thinking inside the box

Na captura dos Friedmans

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Jesse Friedman’s Case and the Appearance of Impropriety
After a Guilty Plea, a Prison Term and a Movie, a Sex Abuse Case Returns
Capturing the Friedmans
Exonerating Jesse Friedman

Testemunhos emocionados de criança são avaliados como mais críveis. Psypost

Um novo estudo da Universidade de Gotemburgo mostra que os estudantes de direito avaliam os testemunhos infantis como mais críveis e verdadeiros se eles são apresentados  de forma emocional. Assim, existe o risco de que as crianças que se comportam de forma neutra possam ser percebidas como menos críveis no tribunal.

Children's testimony and the emotional victim effect
Emotional children’s testimonies are judged as more credible

Não há democracia onde houver desaparecidos. Entrevista especial com Suzana Lisboa. IHU

No ano passado, participei dos eventos alusivos aos 40 anos do golpe na Argentina. Sempre me pergunto: onde foi que erramos na nossa luta, depois da anistia, que ficamos tão sozinhos e isolados? Fomos nós, os familiares, que fizemos a mobilização, com a ajuda de um que outro. Voltei da Argentina com a certeza de que não fomos nós que erramos, foi a esquerda que nos abandonou.

A Argentina participou dos 40 anos do golpe, participou da marcha. Uma multidão se reuniu na praça, junto com as madres [Madres de Plaza de Mayo, grupo de mulheres que se organizaram para buscar notícias acerca dos filhos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina], com as avós [Abuelas de Plaza de Mayo, organização que tenta localizar crianças sequestradas ou desaparecidas durante a ditadura e devolvê-las às famílias legítimas], com os filhos. A multidão se retira e entra outra, com os partidos políticos. É impressionante.

Os partidos políticos fazem uma manifestação igual ou maior do que a que é feita pelas entidades de direitos humanos. Quem é que se manifesta a favor de alguma coisa aqui no Brasil? Não se reúnem dez pessoas. A esquerda brasileira nos abandonou, desde o começo, com raras exceções. A própria esquerda era contra nossa mobilização. Nós sempre fomos consideradas as impertinentes que sempre reclamam, que nunca estão satisfeitas com nada, sempre querem mais, sempre se manifestam contra isso, contra aquilo.

Leia a entrevista completa.

As diversas faces da violência. PUC-Rio.

Curso de Extensão

Deparamo-nos com o tema violência todos os dias, direta ou indiretamente. Notícias, estatísticas, análises acadêmicas, experiências pessoais demandam que nos posicionemos sobre o que seja violência e quanto ao modo de lidar com ela. No entanto, haveria um elemento comum a unir essas diferentes situações que nos acossam diuturnamente? De que modo as experiências de violência incidem sobre a constituição subjetiva? Existiria uma definição capaz de abarcar esse conjunto de experiências com as quais lidamos todos os dias? O curso de extensão que propomos tem por objetivo partir dessas questões, mostrando seus limites, analisando temas e fragmentos de casos que não apenas se fazem atuais para todos, mas que, em particular, compõem o cotidiano da interface entre psicologia e sistema judicial.

Objetivo:

Apresentar o tema da violência, as dificuldades e as implicações de sua/s definição/ões. Analisar as representações da violência na sociedade, no sistema judicial, seus efeitos na constituição subjetiva e suas expressões nas formas de testemunhos e estudos psicossociais. Avaliar as consequências das demandas de produção de prova, garantia de direitos e de reparação motivadas por situações de violência, em particular quando dirigidas ao saber psi a partir da ordem judicial. Discutir e formular estratégias de ação na interface entre psicologia e justiça e as condições de atuação no sistema judicial.

Programa:

  1. Psicanálise: violência e trauma;
  2. Violência, vulnerabilidade e luto;
  3. Direito, ética e construção da subjetividade;
  4. As dificuldades no atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência: fragmentos de casos;
  5. O testemunho judicial de crianças I: Memória, violência e vitimização;
  6. O testemunho judicial de crianças II: Memória, violência e experiências internacionais;
  7. Desigualdades, Desrespeito e Discriminação;
  8. A violência institucional e a destituição do poder familiar.

O curso será ministrado por professores da Especialização em Psicologia Jurídica e do Direito da PUC-Rio.

Informações adicionais podem ser obtidas aqui.

A 13a Emenda