Congresso Nacional de Psicanálise, Direito e Literatura

VII CONPDL – As múltiplas faces da adoção: leituras de Nunca deixe de acreditar

Facebook
Anúncios

O ruído das coisas ao cair. Resenha

Como escrever sobre a vulnerabilidade que nos habita?

Nesse romance a memória e a história têm um lugar especial. Os fragmentos, as lembranças, as narrativas incompletas, o passado e sua interpretação tudo isso compõe um tempo no qual somos envolvidos junto com os personagens e a partir do qual vislumbramos bifurcações que apontam também para futuros incriados…mas cujas interrogações fazem-se atuais. A Colômbia, sua história e seu presente, Bogotá e seus cidadãos, todos são personagens na letra de Vásquez e recebem descrições que nos convidam a conhecer imagens que desenham violências, desencontros e persistências.

É do seio de interrogações que nascem do encontro entre geografia, história, memória e acaso que nos damos conta da vulnerabilidade que nos define e do desconforto de viver com ela. Dessa perspectiva, ainda que a Colômbia esteja no horizonte da narrativa, aquela vulnerabilidade diz respeito a todos nós.


Vásquez, J. G. (2013). O ruído das coisas ao cair. Rio de Janeiro: Objetiva.

Leia a resenha completa em Cartas do Litoral.

Os loucos parecem eternos

Ela se dizia uma mulher bonita e com uma inteligência acima do normal. Sonhava em ser escritora quando chegou ao Rio de Janeiro, no final dos anos 1950. Trabalhou na redação doJornal do Brasil, onde conviveu com figuras como Reynaldo Jardim, o poeta Ferreira Gullar, o artista plástico Amilcar de Castro, um dos responsáveis pela reforma gráfica e editorial do jornal naquela época, o crítico Assis Brasil, que se interessou vivamente por seus contos, e muitas outras pessoas. A arte de vanguarda tinha seu ninho de discussão no Suplemento Dominical, onde, entre outras coisas, o poeta Mário Faustino assinava a revolucionária página “Poesia-Experiência” e onde também foi publicado, em 1959, o famoso Manifesto Neoconcreto.

Essas poucas referências ajudam a dar a dimensão da criatividade daquela geração e o sonho de tornar pública a discussão artística. E foi nesse meio, em plena efervescência cultural, que a jovem mineira Maura Lopes Cançado arranjou seu primeiro emprego no Rio de Janeiro, depois de uma tumultuada passagem por Belo Horizonte e uma infância marcada pela violência em sua cidade natal, no interior de Minas Gerais. Quando digo tumultuada, refiro-me à vida errática que a jovem Maura levou na capital mineira e que a fez internar-se num sanatório. As referências estão no seu próprio diário, que ela escreveu já no Rio de Janeiro, no final dos anos de 1950, quando interna do Hospital Gustavo Reidel, no Engenho de Dentro. [Leia mais – Cult]

Leia também:

Narrativas e sobreposições : notas sobre Maura Lopes Cançado

Ian McEwan: “A utopia é uma das noções mais destrutivas”

As decisões dos juízes, dos bons, atingem um alcance filosófico espetacular. Demonstram uma grande compaixão e uma enorme racionalidade, que acredito serem componentes importantes de nosso sistema moral. E, em sua pior vertente, são venais, preguiçosos, irritantes, pouco transparentes e estúpidos. Então realmente quis descrever a natureza humana através de uma instituição. O direito da família foi pouco utilizado pelos romancistas, que em geral preferem o assassinato e a violência. Mas está ligado aos dilemas morais do dia a dia. A separação, o futuro dos filhos, o final do amor, a doença. As varas de família estão cheias de histórias humanas muito boas, e muitas vezes inquietantes.[Leia mais – El País]