Era o hotel cambridge

Violência contra a mulher, algumas palavras

Prezi da apresentação relativa ao tema ‘violência contra a mulher’, realizada na III Jornada Sócio e Clínico Institucional de Psicologia, Universidade Veiga de Almeida, RJ, em 29.3.2017:

Violência contra a mulher, algumas palavras

 

Passageiro do fim do dia — Resenha


O que nos espera no fim da linha?

Um jovem aguarda no ponto final o ônibus que o leverá para a casa da namorada. Muitos agurdam com ele. A dificuldade já se insinua ali.

Uma viagem do centro da cidade à periferia. Desde o primeiro moment da narrativa, lembranças pessoais que se entrelaçam com a memória de um ou vários lugares: nomes que se sucedem ao longo dos diversos cenários para os quais somos convidados e que revelam o limite que se apaga aos poucos entre mim, o protagonista e o outro. Pedro indaga-se sobre sua própria vida e sobre a daqueles que compartilham com ele a viagem. Outros ocupam também a atenção de Pedro, os que passeiam por seus sonhos e devaneios.

Pedro aguarda o momento de entrar no ônibus. Depois, a espera até o final da jornada. Antes do início, sua vida já era passada em revista e nesse movimento era toda uma gama de acontecimentos que deslizava por seus olhos. Nomes, lugares, sentimentos, tudo está ali representado e invoca histórias, acontecimentos, personagens.

O final sempre adiado, aparenta prenunciar um problema de grandes proporções, com relação ao qual, um silêncio insiste em se sobrepor. Burburinho. Falas entrecortadas. Silêncio que se faz vizinho do temor diante do inesperado e do desconhecido.

Na geografia que se desenha no mesmo passo que o tempo que passa, as linhas de Rubens Figueiredo deixam ver algo de uma decadência que habita os lugares e que ali está porque reside em nós. O fim que se anuncia em todos os detalhes da vida, a impossibilidade de acreditar no que se diz e faz, a estranheza de tentar entender os significados de palavras como justiça e seleção natural.

Ele tinha a impressão de que tudo o que elas dissessem, toda má notícia, precisava ser a maior, tinha de ter a primazia, só porque eram elas que falavam, e não os outros. Para elas, pouco importava que o problema e que aquelas histórias se transformassem num prazer e numa necessidade da qual, sem perceber, já não conseguiam abrir mão. [p. 31]

Dos poucos personagens, um juiz e seus interlocutores no espaço de um sebo, e Darwin, que se presentifica por um livro que o encarna. Entre um e outro, a descoberta do protagonista de sentidos que se ocultam entre o funcionamento da justiça e o da seleção natural. Que a justiça não seja tão justa ou que a seleção não seja tão natural, eis aí uma pista que acaba por se impor a Pedro, o protagonista. E essa imposição alcança a todos nós. Alcança também a namorada de Pedro, Rosane, sua família, o bairro do Tirol e adjacências, os usuários do ônibus, todo mundo.

Contudo, a partir das interrogações que o sentido das palavras justiça e seleção natural fornecem, forças incomensuráveis apresentam o cenário no qual Pedro, sua namorada e a massa sem nome que passeia pelos olhos do protagonista encontram seus lugares. Cenário de luta que acaba por se revelar como encontro inevitável com o fim que, para alguns, no entanto, se faz adiado no último instante.

A espera para o incío da jornada, e o tempo sem fim tomado pela própria jornada, entrecruzam camadas de sentido que se expressam nos dramas subjetivos e nas encruzilhadas sociais, nos quais a desigualdade dá as cartas. É nesse campo que palavras como justiça e sobrevivência do mais apto passam por um questionamento que se estende de ponta a ponta do livro. Essas palavras são reviradas de modo que seu avesso possa traduzir sentidos que nos escapam em uma primeira vista. Sentidos que se ligam indissociavelmente a uma luta que se diz de vários modos e na qual os oponentes jamais se encontram nas mesmas condições. Assimetria.

Pelo rosto, pela respiração, pela voz, Pedro entendeu que, para o menino, o que havia ocorrido três ou cinco dias antes parecia não ser nada: ele não tinha sido atingido pelo tiro, não houve tiro nenhum e ele não tinha perdido nada — os dedos não eram nada, aqueles dez dias não eram nada, assim como a rua toda não era nada, assim como as casas em volta — e o que mais? [p. 93]

“Havia obstáculo por todos os lados”. É isso que Pedro diz ou pensa em algum momento. É isso que sintetiza os diversos pontos de ancoragem das lembranças de Pedro. Lembranças que passeiam entre sua vida, a da namorada: pessoas, imóveis, residências, acidentes, comunidades. Um fluxo interminável que se traduz nas páginas do livro que não se divide em capítulos. Que se presentifica em uma viagem que não chega ao fim esperado, embora quase alcance o destino previsto.

Quase lá…chegar ao destino acaba por se tornar algo distinto de uma certeza ou vontade. ‘Chegar ao destino’ acaba por ser pergunta, interrogação insistente: como chegamos até aqui? O que significa ir em frente? O que está acontecendo?

O que ele queria dizer? Se uns sobrevivem e outros não, era porque alguns eram superiores? [p. 195]

Ao final, Pedro está quase lá. Que tenhamos feito essa viagem com ele e não estejamos mais no mesmo lugar de onde partimos, com as mesmas certezas e convicções, talvez seja a aposta com a qual Rubens Figueiredo nos brinda no ponto final que nos oferece.

Alguém lá na frente perguntou e Pedro ouviu o motorista responder que, se o trânsito não piorasse nem tivessem de desviar o itinerário, faltavam só uns quinze minutos para chegar. [p. 197]


FIGUEIREDO, Rubens. Passageiro do fim do dia. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. 197 p.


 Publicado originalmente em Cartas do Litoral

Encontro Interdisciplinar sobre o Testemunho. CES

Este encontro organizado como um dia de conferências e debates abertos ao público, visa discutir o estatuto epistemológico do Testemunho em diversas disciplinas das ciências sociais e humanidades. Sendo um tema tradicionalmente tratado pela filosofia, o testemunho adquire sentidos diferentes na própria disciplina filosófica e segue reapropriado por enquadramentos teóricos de outras disciplinas, revelando-se crescentemente pertinente e premente ponderar sobre as teorias e práticas testemunhais dos nossos dias a partir de campos do saber distintos […].

Enquadramento

Laudos e pareceres psicológicos. Curso de Extensão. PUC-RJ

Nesta matéria analisam-se fontes bibliográficas e documentais, além de se discutir a prática profissional, avaliando-se as orientações normativas, conceitos e dificuldades na elaboração de documentos por parte do psicólogo no âmbito judicial.

Objetivos

Apresentar a elaboração de laudos e pareceres como atividade de tradução entre saberes e práticas distintos, marcada historicamente e sendo igualmente o resultado do jogo de forças entre demandas judiciais e as respostas a elas.

  • Analisar o percurso histórico que constituiu o laudo e o parecer como possível no sistema judicial;
  • Discutir as dificuldades da elaboração de documentos escritos oriundos de avaliações e estudos psicológicos;
  • Comentar as referências judiciais e profissionais sobre a elaboração de laudos e pareceres;
  • Conhecer diretrizes técnicas e éticas da elaboração de documentos escritos;
  • Exercitar formas de elaboração de laudos e pareceres.

Metodologia

Aulas expositivas e dialogadas; leituras orientadas; trabalhos em grupo; discussão de casos; elaboração de laudos e pareceres.

Ementa

O sistema de justiça. Os atores jurídicos e suas demandas. O laudo e o parecer psicológicos no sistema de justiça e sua história. O Código de Processo Civil e a elaboração de laudos e pareceres: perito e assistente técnico. As Resoluções e as referências oriundas do Conselho Federal de Psicologia. Exigências éticas e técnicas na elaboração de documentos. Dificuldades na elaboração de laudos e pareceres.

O curso será ministrado na PUC-RJ a partir do dia 11/3/17. Informações adicionais podem ser obtidas no sítio eletrônico na Coordenação Central de Extensão.

As diversas faces da violência. PUC-Rio.

Curso de Extensão

Deparamo-nos com o tema violência todos os dias, direta ou indiretamente. Notícias, estatísticas, análises acadêmicas, experiências pessoais demandam que nos posicionemos sobre o que seja violência e quanto ao modo de lidar com ela. No entanto, haveria um elemento comum a unir essas diferentes situações que nos acossam diuturnamente? De que modo as experiências de violência incidem sobre a constituição subjetiva? Existiria uma definição capaz de abarcar esse conjunto de experiências com as quais lidamos todos os dias? O curso de extensão que propomos tem por objetivo partir dessas questões, mostrando seus limites, analisando temas e fragmentos de casos que não apenas se fazem atuais para todos, mas que, em particular, compõem o cotidiano da interface entre psicologia e sistema judicial.

Objetivo:

Apresentar o tema da violência, as dificuldades e as implicações de sua/s definição/ões. Analisar as representações da violência na sociedade, no sistema judicial, seus efeitos na constituição subjetiva e suas expressões nas formas de testemunhos e estudos psicossociais. Avaliar as consequências das demandas de produção de prova, garantia de direitos e de reparação motivadas por situações de violência, em particular quando dirigidas ao saber psi a partir da ordem judicial. Discutir e formular estratégias de ação na interface entre psicologia e justiça e as condições de atuação no sistema judicial.

Programa:

  1. Psicanálise: violência e trauma;
  2. Violência, vulnerabilidade e luto;
  3. Direito, ética e construção da subjetividade;
  4. As dificuldades no atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência: fragmentos de casos;
  5. O testemunho judicial de crianças I: Memória, violência e vitimização;
  6. O testemunho judicial de crianças II: Memória, violência e experiências internacionais;
  7. Desigualdades, Desrespeito e Discriminação;
  8. A violência institucional e a destituição do poder familiar.

O curso será ministrado por professores da Especialização em Psicologia Jurídica e do Direito da PUC-Rio.

Informações adicionais podem ser obtidas aqui.

A 13a Emenda