Psicanálise na área jurídica | Christian Dunker | Falando nIsso 115

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Qual é a diferença entre perversão e perversidade? Christian Dunker

Freud e sua atualidade em dois comentários

Em 23/9 de 2014 completaram-se 75 anos da morte de S. Freud. A esse respeito, duas publicações, dentre várias, mostraram-se bastante interessantes para revelar o quanto o pensamento freudiano continua vivo, apesar de tudo:

 

Why Freud Still Haunts Us, by Michael S. Roth [The Chronicle of Higher Education]

[…] If we become interested only in how we are put together, in how our neurology works, and not in how we make meaning from our past, then Freud will have truly disappeared from our culture. But if we continue to consider the past important for giving meaning and direction to our lives, then it’s a good bet that we will continue to ask and try to respond to those annoying questions that require us to find new ways to tell our stories, to better work through who we are and what we want.

How Sigmund Freud Wanted to Die, by Lewis Cohen [The Atlantic]

Anecdotes from his doctors reveal that the famed psychoanalyst’s request has echoes in today’s assisted-suicide debate.

[…] On September 21, according to Schur’s first-person account, Freud reached out, grasped him by the hand, and said, “My dear Schur, you certainly remember our first talk. You promised me then not to forsake me when my time comes. Now it’s nothing but torture and makes no sense any more.”

Schur said he had not forgotten. He wrote that Freud “sighed with relief, held my hand for a moment longer, and said ‘I thank you,’ and after a moment of hesitation he added: ‘Tell Anna about this.’ All this was said without a trace of emotionality or self‑pity, and with full consciousness of reality.”

Schur continued, “I informed Anna of our conversation, as Freud had asked.” She reluctantly agreed, thankful her father had remained lucid and able to make this final decision.

Schur wrote, “When he was again in agony, I gave him a hypodermic of two centigrams of morphine [approximately 15 to 25 mg]. He soon felt relief and fell into a peaceful sleep. The expression of pain and suffering was gone. I repeated this dose after about 12 hours. Freud was obviously so close to the end of his reserves that he lapsed into a coma and did not wake up again.”

Freud quietly died at three in the morning of September 23, 1939, 75 years ago. Three days later, his body was cremated. Freud’s ashes were placed in an ancient Greek urn that had been a gift from Marie Bonaparte. Freud bequeathed to Schur his pocket watch, which in turn was passed along to Schur’s children and their children in perpetuity.

 

 

Entre Freud e Merleau-Ponty: os estudos iniciais da memória e o lugar da linguagem

Este artigo foi publicado na Revista Mnemosine e teve por objetivo analisar os marcos iniciais dos estudos psicológicos sobre a memória, os quais são relativos ao ‘laboratório’ e à ‘clínica’. Isto é, os estudos iniciais sobre a memória desenvolveram-se a partir de experimentos que se imbuíam de preocupações relativas ao método científico, tanto quanto, em outra esfera, nutriam-se da experiência clínica.

O trabalho apresenta alguns autores relevantes desses campos no século XIX, buscando articulação com os escritos de Freud do mesmo período.

A diretriz adotada é a crítica de Merleau-Ponty feita ao mecanicismo em ‘A Estrutura do Comportamento’.

Observa-se, ao final, a importância desse tema nos textos de Freud dessa fase, em particular quanto ao que é postulado nesse momento como aparelho de linguagem.

Texto Completo:

http://www.mnemosine.com.br/ojs/index.php/mnemosine/article/view/272/pdf_255

Entrevista: Romildo do Rêgo Barros – Saúde para Todos & Loucura de Cada Um

via psicologica.tv

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Curso: Questões para uma articulação entre Psicanálise e Direito

Secretaria – ELP-RJ secretaria@escolalacaniana.com.brTels: (21) 2294-9336/ 2239-7199 Cel: 8023-5574 Curso: Questões para uma articulação entre Psicanálise e Direito Expositor: Agostinho Ramalho Marques Neto Carga horária: 6 horas Datas: 16, 1…

Secretaria – ELP-RJ

secretaria@escolalacaniana.com.br
Tels: (21) 2294-9336/ 2239-7199
Cel: 8023-5574

 

 

 

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Curso: Questões para uma articulação entre Psicanálise e Direito

 

Expositor: Agostinho Ramalho Marques Neto

Carga horária: 6 horas

Datas: 16, 17 e 22 de novembro de 2010

Horário: 20:00 h. às 22:00 h.

Local: Av. Ataulfo de Paiva, 255, Auditório

Leblon – Rio de Janeiro-RJ

Informações: (21) 2294-9336/ 2239-7199/ secretaria@escolalacaniana.com.br

 

Descrição do curso:

        O curso tem por objetivo pôr em discussão as condições de possibilidade da articulação entre a Psicanálise e o Direito. Essa articulação envolve necessariamente a noção de interdisciplinaridade. Em face disso, tratar-se-á inicialmente da questão da interdisciplinaridade, com ênfase a certos cuidados metodológicos e epistemológicos implicados na sua prática e à posição do sujeito do conhecimento na condução de um trabalho de natureza interdisciplinar. Certas considerações sobre a estrutura do conhecimento científico bem como uma breve crítica do assim chamado “ideal da ciência” e do cientificismo serão apresentadas com vista a situar adequadamente a questão da interdisciplinaridade.

Após essas considerações preliminares, abordar-se-á o estatuto da Psicanálise, no eixo da indissociabilidade entre a elaboração teórica e a experiência clínica. Discutir-se-á a especificidade e a autonomia da Psicanálise em relação a outros campos teóricos e práticas terapêuticas, enquanto disciplina que se constitui a partir da falta radical do objeto da pulsão e do objeto do desejo, e da falta também radical de um significante primordial que pudesse dar consistência à ordem da linguagem – o que implica necessariamente na produção de verdades parciais e não-todas. A questão central, nesta passagem, será: como tornar possível a articulação da Psicanálise com outros campos do saber, respeitando-se a autonomia das disciplinas envolvidas e evitando-se o perigo de reducionismos e transposições teóricas inadequadas? Em outras palavras, como articular Psicanálise em intensão e Psicanálise em extensão? O sujeito da Psicanálise, enquanto sujeito do desejo inconsciente, sujeito cindido que se presentifica no intervalo entre significantes, também terá sua importância enfatizada, considerando-se que não pode haver Psicanálise sem sujeito. Será possível alguma interlocução entre esse sujeito e o sujeito do conhecimento, ou seja, o sujeito teórico, epistemológico? Haverá algum patamar de “identidade” entre esses sujeitos? Em que medida e até que ponto um exclui (recalca, foraclui) o outro? Também se discutirá o estatuto da Psicanálise enquanto “ciência do singular”, a articulação entre desejo, verdade e ética no campo psicanalítico e a crucial distinção entre a Lei (da castração) e a lei (jurídica).

Como um caso possível de trabalho interdisciplinar no terreno da Psicanálise em extensão, serão postas em discussão as condições de possibilidade de uma interlocução entre Psicanálise e Direito. Considerando-se que as principais questões concernentes ao campo da Psicanálise já terão sido apresentadas, tomar-se-á como tema central desta parte do curso o estatuto do Direito, a partir do que serão examinadas algumas condições de possibilidade de sua interlocução com o campo da Psicanálise. Certas questões-chave conduzirão esse exame: A) Não há nenhum direito em si: o estatuto do Direito não é independente das leituras que dele se façam. O Direito como “interdisciplina”, como foco de convergência interdisciplinar. B) A interpretação cria, mais do que descobre, o “verdadeiro” sentido da lei. C) A verdade no campo do direito é de caráter não somente teórico, epistemológico e processual, mas também ético e político. D) Como questões oriundas do campo da Psicanálise podem afetar o campo do Direito e vice-versa? E) Como tecer articulações a partir de significantes que comparecem em ambos os campos, como, entre outros, os de sujeito, objeto, verdade e gozo? F) Como articular sujeito do desejo e sujeito jurídico?

 

ENCERRAMENTO

O curso será concluído com a leitura, pela psicanalista Elisabeth Bittencourt, do texto de sua autoria intitulado: Sempre foi assim…,seguido de debate sobre a função estruturante da interdição do incesto.

Vagas Limitadas!

 

Preço: R$ 300,00 para profissionais/ R$ 150,00 para estudantes

Parcelamento em até 2x com cheques pré-datados

1ª parcela até 15/10 e 2ª parcela até 12/11

Mais algumas linhas sobre psicanálise e genealogia III

Deve-se desconfiar da precisão da genealogia se o nível das condições de produção de conhecimento não consegue explicitar os meandros e as singularidades dos conceitos que circulam entre os saberes. Segundo Chaves, nesse contexto de discuss…

 

Deve-se desconfiar da precisão da genealogia se o nível das condições de produção de conhecimento não consegue explicitar os meandros e as singularidades dos conceitos que circulam entre os saberes. Segundo Chaves, nesse contexto de discussão entre Foucault e a psicanálise, é necessário “examinar as relações que o projeto freudiano mantém com o nível das práticas, com a cultura que o produziu e que ao mesmo tempo é questionada por ele” (Chaves, 1988: 143).

Ademais, Foucault não deixa de assinalar os pontos de ruptura da psicanálise frente ao traçado genealógico das ciências do sexual. Conforme ele próprio destaca, a psicanálise foi responsável por salvaguardar a sociedade do furor racista das teorias biológicas da hereditariedade e da degenerescência que marcaram a psiquiatria positivista do século XIX, embora o tivesse feito por meio da lei do interdito das alianças:

 

“É uma honra política para a psicanálise (…) ter suspeitado (e isto desde o seu nascimento, ou seja, a partir de sua linha de ruptura com a neuropsiquiatria da degenerescência) do que poderia haver de irreparavelmente proliferante nesses mecanismos de poder que pretendiam controlar e gerir o quotidiano da sexualidade: daí o esforço freudiano (sem dúvida por reação ao grande crescimento do racismo que lhe foi contemporâneo) para dar à sexualidade a lei como princípio – a lei da aliança, da consangüinidade interdita, do Pai-soberano, em suma, para reunir em torno do desejo toda a antiga ordem do poder” (Foucault, 1997: 141).

 

 

Sem dúvida central, não podemos enquadrar Freud no escaninho das ciências sexuais sem dificuldades, haja vista as suas insistentes críticas à teoria da degenerescência e da hereditariedade, os questionamentos à moral higienista, o rompimento com o positivismo científico, a primazia dada às fantasias e às vicissitudes da pulsão e, por fim, a aproximação da perversão aos prazeres normais de uma forma como jamais alguém fizera. Se isso não é ainda suficiente para colocá-lo à distância das ciências do sexual, imaginando que boa parte disso se fazia presente entre os homens de ciência contemporâneos a Freud, cabe então destacar a sua posição clara a respeito do projeto eugenista de proteger a sociedade em face dos degenerados . Para Freud, tal projeto estava fadado ao fracasso na medida em que os desvios da satisfação sexual não eram atributos somente dos impotentes ou dos perversos, mas algo que marca tão profundamente o homem moderno civilizado que não há solução possível.