Não há democracia onde houver desaparecidos. Entrevista especial com Suzana Lisboa. IHU

No ano passado, participei dos eventos alusivos aos 40 anos do golpe na Argentina. Sempre me pergunto: onde foi que erramos na nossa luta, depois da anistia, que ficamos tão sozinhos e isolados? Fomos nós, os familiares, que fizemos a mobilização, com a ajuda de um que outro. Voltei da Argentina com a certeza de que não fomos nós que erramos, foi a esquerda que nos abandonou.

A Argentina participou dos 40 anos do golpe, participou da marcha. Uma multidão se reuniu na praça, junto com as madres [Madres de Plaza de Mayo, grupo de mulheres que se organizaram para buscar notícias acerca dos filhos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina], com as avós [Abuelas de Plaza de Mayo, organização que tenta localizar crianças sequestradas ou desaparecidas durante a ditadura e devolvê-las às famílias legítimas], com os filhos. A multidão se retira e entra outra, com os partidos políticos. É impressionante.

Os partidos políticos fazem uma manifestação igual ou maior do que a que é feita pelas entidades de direitos humanos. Quem é que se manifesta a favor de alguma coisa aqui no Brasil? Não se reúnem dez pessoas. A esquerda brasileira nos abandonou, desde o começo, com raras exceções. A própria esquerda era contra nossa mobilização. Nós sempre fomos consideradas as impertinentes que sempre reclamam, que nunca estão satisfeitas com nada, sempre querem mais, sempre se manifestam contra isso, contra aquilo.

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Memento

On 27 January, on the anniversary of the liberation of the Auschwitz-Birkenau German Nazi concentration camp, the International Holocaust Remembrance Day is commemorated. For this occasion, the European Network Remembrance and Solidarity and the House of the Wannsee Conference have prepared a short animated film entitled “Memento”, directed by the Hungarian auteur Zoltán Szilágyi Varga. The film is available on the organisers’ websites and it will also be shown across European TV channels.

The half-a-minute-long spot based on charcoal drawings recalls one of the most tragic events in human history. As its director Zoltán Szilágyi Varga says, when trying to grapple with the Holocaust “we stand in front of human nature’s distortion without any answer despite all the research we know, the number of victims counted, the exact description of the events. The film evokes symbolism which is easily recognised by Europeans: cattle railway cars, railway tracks, paper snippets or abandoned flats, yet it shows them from a child’s perspective, thereby posing the question whether it is possible to comprehend that tragedy and stressing the need to uphold the memory of those days.

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“Memento”: an animated film for the International Holocaust Remembrance Day

Claudio Ulpiano: Nietzsche e o Espírito de vingança

Cl: É aqui que vai se dar o processo da luta dos reativos com os ativos (ouviu?). Quando o Nietzsche vai centralizar a obra dele toda nisso que está aí: o nascimento dessa memória, de uma memória surpreendente, que vai nascer, porque é uma memória social. Não apenas uma memória individual; mas uma memória do socius. Ou seja, abandonado o órgão, entra essa nova memória de palavras; e esse novo tipo de memória que aparece é uma memória que tem que gravar valores que não são só do indivíduo ― são valores do corpo social.

Claudio Ulpiano – Nietzsche e o Espírito de vingança

82 anos depois, mãe encontra filha entregue à adoção de modo forçado

Mãe e filha separadas em 1933 tiveram um encontro improvável que celebrou uma busca de décadas. Lena Pierce, 96, e sua filha, Betty Morrell, 82, encontraram-se mais de 80 anos depois da segunda ter sido disponibilizada para a adoção de modo forçado.

Pierce tinha 14 anos de idade e seis meses depois do nascimento de Eva May, como sua filha era chamada à época, o poder público entendeu que ela seria jovem demais para cuidar da filha, determinando a colocação da criança em família substituta.

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82 years later, mother meets daughter she was forced to give up for adoption

la casa de pequeños cubos

Com atraso, ‘Rectify’ chega ao Brasil em maratona de suas duas temporadas

Um jovem morador de uma cidadezinha conservadora no Sul dos EUA é preso, acusado de estuprar e matar a namorada. Julgado, passa 19 anos na cadeia, a caminho do corredor da morte. Um exame de DNA, porém, desmente aquilo em que a população de Paulie, na Geórgia, sempre acreditou. Ele é solto, mas precisa enfrentar a vida adulta, um mundo completamente diferente e os preconceitos. E é a partir daí que começa “Rectify”[…] [ Leia mais – O Globo]

MENTIRAS GRAVADAS NO MÁRMORE E VERDADES PERDIDAS PARA SEMPRE

Glenda Mezarobba, “Mentiras gravadas no mármore e verdades perdidas para sempre”, SUR 21 (2015), acesso 11 Dez. 2015, http://sur.conectas.org/edicao-21/mentiras-gravadas-no-marmore-e-verdades-perdidas-para-sempre/

Em 2010, buscando cumprir o dever do Estado brasileiro de revelar a verdade, a Presidência da República criou um grupo de trabalho para elaborar anteprojeto de lei2 com o objetivo de instituir um órgão de investigação da história de graves violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar (1964-1985). Integrado por representantes da Casa Civil e dos Ministérios da Justiça, Defesa e daSecretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), pelo presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e por um representante da sociedade civil, o grupo atuou durante três meses na redação daquela que viria a se tornar, no final de 2011, a Lei 12.528.3 Apoiada por essa legislação, em 16 de maio de 2012, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi estabelecida com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988, “a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”. [Leia mais: Sur]