Família patriarcal e discriminação sexual no Brasil colonial

Tradicionalmente, sobretudo por influência dos estudos de Gilberto Freire, quando falávamos em famíliana Colônia logo vinha à mente o modelo patriarcal: o de uma família extensiva, constituída por parentes de sangue e afins, agregados e protegidos, sob o a chefia indiscutível de uma figura masculina. A família patriarcal teve grande importância, marcando inclusive […] as relações entre sociedade e Estado. Mas ela foi característica da classe dominante, mais exatamente da classe dominante do Nordeste. Entre a gente de condição social inferior a família extensiva não existiu, e as mulheres tenderam a ter maior independência, quando não tinham marido ou companheiro. Em Outro Preto de 1804, por exemplo, considerando-se 203 unidades domésticas, apenas 93 eram encabeçadas por homens.

Mesmo em relação às famílias de elite, o quadro de submissão das mulheres tinha exceções. Em determinadas circunstâncias, elas desempenharam um relevante papel nas atividades econômicas. Isso ocorreu na região de São Paulo, onde as mulheres, descritas por um governador de capitania por volta de 1692, como ‘formosas e varonis’, assumiam a administração da casa e dos bens, quando os homens se lançavam por vários anos às expedições no sertão. [72-73]

FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1995. 647 p.

Autor: jccoimbra

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