Adoção: do abandono à deportação

Em que momento nos tornamos aquilo que acreditamos ser?

“Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não, do tamanho da minha altura…” Alberto Caieiro, O Guardador de Rebanhos

Em abril/2015, Maggie Jones publicou matéria no New York Times sobre o caso de Adam Crapser, que seria deportado dos EUA para a Coreia do Sul.

Maggie Jones nos mostra quem é Adam Crapser e sua família: 39 anos, 3 filhos e uma mulher grávida.

A história de Adam Crapser começa na Coreia do Sul, quando ele, então Shin Song Hyuk, com três anos de idade, foi enviado com sua irmã para uma instituição de acolhimento a 3h de Seul. Alguns meses depois, os dois partiam para os EUA, adotados.

A vida na primeira família teria sido marcada por castigos. Depois de seis anos de convivência, o casal resolve não mais permanecer com Hyuk, mas apenas com a irmã dele.

Hyuk circula por alguns serviços de assistência até ser acolhido por uma nova família, que já contava com filhos adotivos. Contudo, a experiência nessa família não teria sido mais tranquila do que na anterior.

Com 16 anos, depois de uma briga com sua mãe, Hyuk, agora, de direito, Crapser, é expulso de casa. Perambula pelas ruas, faz sua vida por si mesmo. Tempos depois retorna ao antigo lar para resgatar artefatos que havia trazido da Coreia do Sul: um tênis e uma Bíblia. Nessa incursão ele quebra uma janela da casa para entrar ali. Ele é preso por conta disso e permanece 25 meses na prisão. Depois, uma infinidade de episódios de conflitos com a lei que o enredam cada vez mais.

Ao tentar obter um emprego de tempo integral, descobre que não é cidadão americano. Os pais não pleitearam sua cidadania, em complemento à adoção, tal como era necessário antes de 2000, quando foi promulgado o Child Citzenship Act, que beneficiou adotados por cidadãos americanos a partir dali e aqueles que tivessem até 18 anos de idade naquele momento.

Em 2012, depois de muitos contratempos com os Crapser, o jovem finalmente consegue obter os documentos originais relativos à adoção e solicita um Green Card. Contudo, com seu passado de problemas com a lei, o Department of Homeland Security ao realizar as investigações usuais nesses casos, verifica que as condenações que pesavam sobre Crapser faziam dele um ‘deportável’.

Maggie Jones menciona que há na história recente dos EUA pelo menos outros 10 casos de sul-coreanos que passaram pela mesma experiência bizarra que Crapser. Na matéria é ainda mencionado o caso do brasileiro João Herbert.

Grupos de pressão tentam reverter a deportação de Crapser, que completou 40 anos de idade em abril de 2015: 37 anos longe da Coreia do Sul.

 

 Leia o post completo em Cartas do Litoral.

Autor: jccoimbra

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