As relações de poder e a questão racial: uma história sobre heroína e analgésicos

Livre tradução do artigo ‘In Heroin Crisis, White families Seek Gentler War on Drugs’, do The New York Times, publicado em 30/10/2015.

NEWTON, NH — Quando Courtney Griffin usava heroína, ela mentia, desaparecia e roubava seus pais para sustentar o consumo de US$ 400 ao dia. Sua família pagava as dívidas […] em segredo — até que ela foi encontrada morta no ano passado, vítima de overdose.

No funeral de Courtney, a família decidiu conhecer a realidade que redefiniu suas vidas: sua filha, de apenas 20 anos […] havia tido uma overdose na casa da avó de seu namorado, morrendo sozinha.

“Quando eu era criança, os viciados eram apavorantes”, Doug Griffin, 63, pai de Courtney, recordou em sua casa confortável no sudeste do New Hampshire. “Eu tinha um escritório em Nova York. Eu os via.”

Observando que “junkies” é uma palavra que jamais usaria agora, Griffin diz que hoje “eles estão trabalhando bem perto de você e você não sabe o que isso significa. Eles estão no quarto de minha filha — eles são a minha filha”.

Quando a longa guerra contra as drogas foi definida pela epidemia de crack, tendo por base áreas urbanas pobres, habitada por negros, a resposta do poder público foi definida pela tolerância zero e penas de prisão rígidas. Mas a crise da heroína hoje é diferente: o seu consumo subiu entre todos os grupos demográficos, mas disparou entre os brancos. Quase 90 % daqueles que experimentaram heroína pela primeira vez na última década eram brancos.

E o crescente número de famílias cujos integrantes se tornaram usuários de heroína ou morreram disso — muitos deles nos subúrbios e pequenas cidades — estão agora usando a sua influência, raiva e tristeza para mudar a abordagem do país em relação às drogas, alterando o modo como se fala disso, obrigando o governo a tratar do tema não como crime, mas como doença.

“O grupo demográfico de pessoas afetadas é predominantemente branco, classe média, estes são os pais que têm o poder”, disse Michael Botticelli, diretor do Escritório de Política Nacional de Controle de Drogas da Casa Branca, mais conhecido como secretário antidrogas do país. “Eles sabem como encontrar um legislador, eles sabem como se dirigir à companhia de seguros, eles sabem como se defender. Eles têm sido vitais para mudar o rumo dessa conversa”.

A propagação da heroína para os subúrbios e pequenas cidades cresceu a partir de uma onda anterior de uso de analgésicos prescritos; em conjunto as duas tendências estão devastando o país.

As mortes por heroína subiram para 8.260 em 2013, quadruplicando desde o ano 2000 e agravando o que alguns já chamam de a pior epidemia de overdose de drogas na história dos Estados Unidos.

Acima de tudo, overdoses de drogas agora causam mais mortes do que acidentes de carro, com opiáceos como OxyContin e outros medicamentos para a dor matando 44 pessoas por dia.

Publicado originalmente em Cartas do Litoral

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Autor: jccoimbra

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