A crise da imigração infantojuvenil

Nos últimos meses fomos assolados de forma progressiva por notícias relativas à migração de crianças e adolescentes da América Central para os EUA.

Esse movimento de migração é particularmente destacado quando se considera três países da região: El Salvador, Guatemala e Honduras.

Vários motivos são elencados para tentar entender o que ocorre: não apenas crise econômico-social, com efeito sobre os níveis de renda e emprego, mas também o funcionamento das gangues, sua associação com o tráfico (de drogas e pessoas, com o crime organizado em geral) e da luta delas pelo controle de território, com todas as consequências que daí advêm, o que inclui a guerra fratricida entre suas diversas denominações.

A origem das gagues por si só remeteria à necessidade de um estudo detalhado acerca do circuito migratório entre América Central e EUA a fim de tentar compreendê-la. Isso porque aponta-se que seu surgimento na América Central estaria associado ao retorno de jovens dessa região após anos de vida nos EUA. Nesse sentido, as gangues seriam, em um primeiro momento, dispositivos de defesa e de estabelecimento de identidade que acabariam por incluir outros objetivos em seu funcionamento. No retorno aos países de origem, jovens restabeleceriam o modus operandi que encontrou expressão nos EUA, no período em que lá permaneceram.

O Migration Policy Institute – MPI vem reunindo informações e elaborando análises bastante esclarecedores sobre o tema. Com base nas publicações do MPI podemos dizer que o fluxo migratório indicado acima não tem como destino exclusivamente os EUA, mas afeta os demais países da região, como México, Panamá, Nicarágua, Costa Rica e Belize. Esses países, segundo o MPI, em 2013 tiveram aumento de mais de 400% nos pedidos de asilo, o que não significa que eles também não se constituam, em menor escala, em polos de imigração para os EUA.

A Organização das Nações Unidas — ONU estima que em 2014 cerca de 60.000 crianças e adolescentes chegarão ao EUA , na tentativa de obter ali o direito de asilo.

O fenômeno é mundial, não se restringindo ao continente americano. A União Europeia – UE estima ter recebido em 2013 mais de 12.000 pedidos de asilo por parte de crianças e adolescentes desacompanhados de adultos.

Os motivos para esse movimento estão associados a guerras, pobreza, catástrofes naturais, discriminação social, perseguições de toda ordem. A UE aponta também como razões para o aumento do fluxo migratório de crianças e adolescentes: a busca por uma vida melhor, a tentativa de reunião com familiares e o tráfico humano, associado a fins de trabalho forçado, inclusive de natureza sexual.

As análises do MPI mostram que em todas as regiões do planeta há exemplos não apenas desse fenômeno, mas de seu constante incremento.

Dois comentários do MPI apresentam-nos mais elementos sobre o tema:

Child Migration Crisis in the United States

Unaccompanied Minors: A Crisis with Deep Roots and No Simple Solutions

Leia também:

As faces da imigração – O Globo

Families Torn Apart – HRW

Torn Apart – HRW

Publicado originalmente no Medium

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Autor: jccoimbra

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