NOVO SECRETÁRIO DE SEGURANÇA DE NITERÓI É O 22º TIRO NA JUÍZA PATRÍCIA ACIOLI

Foi com muita perplexidade que li a nota informando que o primeiro secretário anunciado para a futura gestão do prefeito eleito de Niterói, Rodrigo Neves (PT) foi o tenente-coronel PM Paulo Henrique Azevedo de Moraes, conforme notícia da colun…

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Foi com muita perplexidade que li a nota informando que o primeiro
secretário anunciado para a futura gestão do prefeito eleito de
Niterói, Rodrigo Neves (PT) foi o tenente-coronel PM Paulo Henrique
Azevedo de Moraes, conforme notícia da coluna de Gilson Monteiro,
publicada domingo no jornal O Globo, caderno Niterói. A indicação,
segundo o jornal, foi após um encontro com o governador Sérgio Cabral
e o secretário de Segurança Pública Joé Mariano Beltrame. O oficial
foi confirmado ontem como o novo Secretário de Segurança de Niterói.
Foi ele o responsável técnico por julgar desnecessária a escolta para
uma juíza tantas vezes ameaçada quando era lotado no Departamento
Geral de Segurança Institucional (DGSEI) do Tribunal de Justiça. Ele
assina vários documentos desprezando os apelos da magistrada.
Documentos públicos que foram referendados pelos desembargadores Murta
Ribeiro (2007 a 2009) e Luiz Zveiter (2009-2011), ambos presidentes do
Tribunal de Justiça nos respectivos biênios. O oficial também era o
comandante do 12° BPM (Niterói) por ocasião do assassinato da
magistrada, com 21 tiros, na porta de casa, em Piratininga, na noite
de 11 de agosto de 2011. Ele foi afastado do cargo após o fato,
juntamente com o amigo e ex-comandante do 7° BPM (São Gonçalo),
tenente-coronel Cláudio Oliveira, apontado como mandante do crime e
que está preso fora do estado. No curso das investigações da Divisão
de Homicídios (DH), ficou provada a “parceria criminosa” envolvendo
policiais dos dois batalhões. O homem que apontou o endereço da juíza
e abriu caminho para seus algozes foi o soldado Handerson Lents,
lotado no batalhão de Niterói, comandado à época por Paulo Henrique. O
supervisor de oficiais do 12º BPM na noite do crime, coincidentemente,
era um tenente com ligações pessoais com os réus e chegou a ser
investigado como mais um possível envolvido na morte da juíza. Ele
ficou de fora do relatório final da DH por um milímetro. Paulo
Henrique e a juíza mantinham uma relação conflituosa, testemunhada por
servidores da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde ela era titular. O
oficial chegou a descumprir uma ordem da magistrada para retirar das
ruas 5 PMs do 12º BPM que eram réus na 4ª Vara. A determinação da
juíza só foi cumprida após a morte dela. A escolha desse oficial para
a Secretaria de Segurança de Niterói deixa nossa família ainda mais
insegura porque estamos às vésperas do primeiro julgamento dos 11
acusados, marcado para 4 de dezembro. Patrícia era nascida e criada em
Niterói. Lá residem sua mãe, uma irmã, seus filhos, sobrinhos, primos
e tios. Paulo Henrique também é de Niterói e mantém estreitas relações
com o desembargador LUIZ ZVEITER, a quem serviu no DGSEI. Cabe lembrar
que o desembargador é alvo de investigação pelo CNJ no caso da omissão
da escolta da juíza. Como secretário de Segurança, será o
tenente-coronel Paulo Henrique o responsável pela Guarda Municipal de
Niterói, que tem membros inscritos no conselho de sentença e podem até
participar do julgamento do caso. Ou seja, parte dos jurados sob o
comando de Paulo Henrique pode julgar os réus, inclusive o seu amigo
Cláudio Oliveira e seu subordinado no 12º BPM, Handerson Lents. Em
janeiro, quando serão julgados mais três PMs acusados de matarem
Patrícia, Paulo Henrique já terá tomado posse. Essa nomeação equivale
a mais um tiro no cadáver sepulto da juíza. Uma total falta de
sensibilidade política e de apreço à magistrada, que deu sua vida para
escancarar a podridão que emana de parte da Polícia Militar do Estado
do Rio de Janeiro. Uma decisão que privilegia interesses políticos e
despreza a memória de Patrícia Acioli, que nasceu e morreu na cidade
que sempre amou, mas nunca mereceu uma homenagem da Prefeitura de
Niterói.

HUMBERTO NASCIMENTO LOURIVAL – jornalista e primo da juíza Patrícia
Lourival Acioli

Autor: jccoimbra

a reader, above all

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