“Avaliação Psicológica: Laudos e Pareceres na Clínica e na Justiça”

Selecionamos aqui um fragmento do artigo postado acima, para apresentar a discussão proposta pelo psicólogo jurídico do TJRJ, José Eduardo Menescal Saraiva, na IV Jornada de Psicologia do Centro Universitário Celso Lisboa, realizada em agosto de 2…

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“[…] Durante bastante tempo, também defendi a ideia, de resto bastante propalada, de que o Judiciário é o espaço da objetividade e nós psicólogos lidamos com a subjetividade, e disso decorreria uma série de problemas nessa confrontação realidade jurídica (objetiva) X realidade psíquica (subjetiva). Hoje esse tipo de reflexão já não me serve: não me satisfaz mais opor objetividade a subjetividade, como se fossem duas realidades antitéticas e mutuamente excludentes. Opor objetividade a subjetividade nesses termos é quase como postular duas categorias puras, absolutas e estáticas, não passíveis de interação e influenciação recíprocas. Se as coisas são postas nesses termos (objetividade e subjetividade como antíteses), considero ser quase impossível pensar uma prática psicológica no universo judiciário. Não acredito numa subjetividade pura, portanto não passível de registro, nem muito menos numa objetividade independente de quem a perceba. Se parece muito abstrato o que acabei de afirmar, afirmo, em contrapartida, que essa abstração teórica se atualiza de forma bastante concreta no trabalho técnico. Em função disso, necessário se faz propor um primeiro cuidado: o cuidado para não criarmos categorias puras e imutáveis em nosso trabalho e em nossas considerações teóricas e técnicas. Ou seja, o trabalho psi – aí incluída a escrita de documentos psicológicos –, a fim de não se transformar em mero devaneio metafísico, precisa pressupor a idéia de movimento e interação. Do contrário, teremos uma intervenção no mínimo estéril, disfarçada sob um verniz de “investigação da subjetividade.”[…]

José Eduardo Menescal Saraiva, na IV Jornada de Psicologia do Centro Universitário Celso Lisboa, realizada em agosto de 2011.

Leia também:

Algumas considerações sobre o parecer psicológico na justiça da infância e da juventude – José César Coimbra

Avaliacao Psicológica na Justiça da Infância e da Juventude – José César Coimbra

Autor: jccoimbra

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