artigo Arnaldo Jabor

Esse artigo do Arnaldo Jabor foi publicado no jornal O Globo, segundo Caderno, terça-feira, 20/04/2010. Algumas palavras antes de lê-lo: o controle da sexualidade nos conventos, centrado no problema da masturbação, em torno do qual havia o sil…

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Esse artigo do Arnaldo Jabor foi publicado no jornal O Globo, segundo Caderno, terça-feira, 20/04/2010. Algumas palavras antes de lê-lo: o controle da sexualidade nos conventos, centrado no problema da masturbação, em torno do qual havia o silêncio monástico associado ao fato de que tudo girava em torno dela, foi um tema profundamente tratado por Foucault em sua História da Sexualidade (ou, mais ainda, nos seminários sobre Os Anormais que antecede a sua publicação). A masturbação será o ponto de apoio para a cruzada antimasturbatória laica e, em seguida, a proliferação das ciências do sexual nos séculos XVIII e XIX, responsáveis pelo fechamento da família em seu núcleo, a saturação sexual dos seus principais eixos, a medicalização da sexualidade e, por fim, a gestão médica da vida humana, desde a população até o indivíduo. Os efeitos de tais transformações se fazem sentir até hoje, sem dúvida central. A masturbação, antes vista como pecaminosa para depois ser concebida como causa e efeito de degenerescências, ocupou lugar estratégico numa nova ética de si surgida na aurora da Modernidade. Foi a partir dela que os poderes fizeram surgir o corpo erótico infantil, a perversão polimorfa, os desejos incestuosos infantis: conceitos tão caros a Freud e às ciências psicológicas e pedagógicas. Foi a partir da masturbação que se pôs a examinar no homem adulto a anomalia infantil que habitaria em seu ser. Arnaldo Jabor escreve de forma magnífica sobre o interesse e o temor que suscitava a masturbação naquele primeiro momento dos conventos e colégios religiosos, que, vale dizer, foram a matriz dos estabelecimentos modernos de ensino e, logo, do sentimento moderno de infância. Boa leitura.
Eduardo P. Brandão 

Autor: jccoimbra

a reader, above all

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